Dólar abre com atenção voltada a  indicadores do Brasil e dos EUA


Nos EUA, o governo Donald Trump quer enviar agentes de imigraçãopara fiscalizar show de Bad Bunny
O dólar inicia a sessão desta sexta-feira (3) de olho no cenário interno e externo. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, abre às 10h.
Os investidores seguem atentos a sinais vindos dos Estados Unidos e do Brasil. A paralisação do governo americano, chamada de “shutdown”, já provoca efeitos na agenda econômica, enquanto, por aqui, dados de atividade e questões fiscais estão no centro das discussões.
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▶️ Nos EUA, o governo completa o terceiro dia de shutdown, iniciado na quarta-feira (1º) por falta de aprovação do orçamento. Após o feriado de Yom Kippur, o Senado deve se reunir novamente nesta sexta-feira (3).
▶️ A paralisação afetou a divulgação de indicadores, incluindo o payroll — tradicional termômetro do mercado de trabalho. Sem ele, o foco recai sobre o PMI de serviços e sobre os discursos de dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central americano).
▶️ No Brasil, o dia começa com a divulgação da produção industrial de agosto, às 9h, seguida pelo PMI de serviços, às 10h. Os números ajudarão a calibrar expectativas sobre a força da economia.
▶️ Ainda no noticiário doméstico, investidores avaliam os impactos fiscais do projeto que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda, aprovado na Câmara e encaminhado ao Senado. A medida é vista como fator de reforço à popularidade de Lula.
Veja a seguir como esses fatores influenciam o mercado.
Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
💲Dólar

a
Acumulado da semana: +0,02%;
Acumulado do mês: +0,32%;
Acumulado do ano: -13,60%.
📈Ibovespa

Acumulado da semana: -0,99%;
Acumulado do mês: -1,53%;
Acumulado do ano: +19,72%.
Câmara aprova isenção do IR
A Câmara dos Deputados aprovou na noite de quarta-feira (1º) o projeto que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil por mês. A votação foi unânime: 493 votos a favor.
O texto ainda terá que passar pelo Senado Federal e depois ser sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para entrar em vigor.
➡️Atualmente, a tabela do Imposto de Renda funciona de forma progressiva. Ou seja, conforme o valor da renda aumenta, o contribuinte passa a pagar um imposto maior sobre aquela parcela de rendimentos. Pela tabela atual, quem ganha até R$ 3.036 está isento. A partir daí, a tributação começa a incidir em “faixas”, que chegam a 27,5% de imposto.
Pedro Moreira, sócio da One Investimentos, aponta que o mercado observa dois aspectos principais. O primeiro, considerado positivo, é a isenção de imposto para quem recebe até R$ 5 mil, além de uma escala de alíquotas que favorece quem ganha até R$ 7.350.
“Ao reduzir a carga tributária, essa medida busca ampliar o poder de compra da população, liberando mais recursos. Com isso, espera-se um crescimento do consumo, o que pode impulsionar setores como o varejo e os serviços”, afirma.
No entanto, há uma contrapartida relevante: o impacto fiscal da isenção. O mercado observa com atenção as propostas de compensação, como a taxação de rendimentos superiores a R$ 600 mil e a tributação de dividendos, LCA e LCI.
“A principal dúvida é: essas medidas serão suficientes para equilibrar as contas públicas?”, questiona o especialista.
Segundo Moreira, é essencial analisar se a compensação fiscal será suficiente para evitar um déficit — e, por consequência, a adoção de novas medidas, como uma possível revisão do arcabouço fiscal.
“Em resumo, a medida também exerce pressão sobre as finanças públicas, o Banco Central, a dívida pública e os DIs, afetando o mercado financeiro — especialmente os ativos de maior risco, como se observou no pregão de hoje.”
Senado americano avalia paralisação
O Senado dos EUA vai votar nesta sexta-feira duas propostas — uma dos democratas e outra dos republicanos — para tentar encerrar a paralisação do governo, que já dura três dias. No entanto, não há expectativa de que qualquer uma delas seja aprovada.
Os dois lados continuam sem acordo e trocando acusações sobre quem é responsável por não manter o funcionamento do governo após o início do novo ano fiscal, em 1º de outubro.
Enquanto isso, o presidente Donald Trump congelou bilhões de dólares destinados a Estados governados por democratas e ameaçou demitir mais funcionários públicos, além dos 300 mil que já devem deixar seus cargos até o fim do ano.
A paralisação já suspendeu pesquisas, divulgação de dados econômicos e o funcionamento de vários serviços.
Cerca de 2 milhões de servidores estão sem pagamento, e uma paralisação prolongada pode afetar viagens, distribuição de alimentos e até o funcionamento dos tribunais.
O Senado já rejeitou propostas semelhantes três vezes, e mesmo com maioria republicana, são necessários votos democratas para aprovar qualquer plano.
Bolsas globais
Em Wall Street, índices americanos fecharam em alta nesta quinta-feira, com os investidores animados pela expectativa de novos cortes na taxa de juros.
Com poucos dados econômicos previstos para os próximos dias, o mercado se apoia na perspectiva de estímulos e na ausência de grandes eventos que possam gerar instabilidade.
O Dow Jones subiu 0,17%, aos 46.520 pontos. O S&P 500 avançou 0,07%, para 6.716 pontos, enquanto o Nasdaq Composite teve ganho de 0,39%, aos 22.844 pontos.
As bolsas europeias fecharam em alta nesta quinta-feira, impulsionadas principalmente pelo bom desempenho de empresas industriais e de tecnologia.
Empresas ligadas à produção de chips se destacaram, especialmente após o anúncio de que duas gigantes sul-coreanas vão fornecer componentes para a OpenAI.
Com isso, o índice geral europeu STOXX 600 subiu 0,53% e fechou em um novo recorde, aos 567,60 pontos. Em outros mercados, Frankfurt (DAX) teve alta de 1,28%, Paris (CAC-40) avançou 1,13% e Lisboa (PSI20) teve leve alta de 0,06%.
Já Londres (FTSE 100) caiu 0,20%, Madri (Ibex-35) recuou 0,27% e Milão (Ftse/Mib) ficou estável.
As bolsas asiáticas fecharam em alta nesta quinta-feira, com destaque para o Japão, que interrompeu uma sequência de quatro quedas.
O avanço foi liderado por ações de empresas ligadas a semicondutores, como a Tokyo Electron, que subiu quase 8% após o índice de chips da Filadélfia atingir máxima histórica nos EUA.
Em Tóquio, o Nikkei subiu 0,87%, aos 44.936,73 pontos. Em Hong Kong, o Hang Seng avançou 1,61%, enquanto o Kospi de Seul teve alta de 2,70%. Em Taiwan, o Taiex subiu 1,52%, o Straits Times de Cingapura ganhou 1,63%, e o S&P/ASX 200 de Sydney avançou 1,13%.
As bolsas de Hong Kong, Xangai e Shenzhen seguirão fechados até 8 de outubro.
Dólar
Karolina Grabowska/Pexels

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